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Suplementação na seca evita perdas no desempenho do rebanho

PUBLICADO EM 08 de julho de 2019 Voltar
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A dobradinha pasto/suplementação tem ajudado os pecuaristas a obter altos rendimentos por animal. A utilização de suplementos concentrados permite corrigir deficiências específicas de nutrientes na forragem, para maximizar a atividade de digestão da fibra, além de complementar a dieta em situações de escassez de forragem. “Essa prática constitui uma ferramenta auxiliar para melhorar o desempenho animal, aumentar a taxa de lotação, produzir maior quantidade de carne por unidade de área, melhorar a qualidade da carcaça e da carne e encurtar a recria e a terminação dos animais em pastejo”, informa o professor Ricardo Reis, que trabalha no Departamento de Zootecnia da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP – Jaboticabal.

Estudos desenvolvidos na UNESP apontaram que o fornecimento de suplementos para bovinos de corte em pastagens permite reduzir e até anular os efeitos da pressão de pastejo. Segundo Reis, o ajuste da suplementação conforme a altura do pasto permite modular o ganho de peso, possibilitando alta produtividade com elevada pressão de pastejo, sem prejudicar o ganho de peso por animal. A quantidade de suplemento e a pressão de pastejo podem ser ajustadas conforme o contexto econômico e o objetivo de produção, sem influenciar de forma negativa no desempenho animal.

O pesquisador da Embrapa Luiz Orcírio Oliveira reforça que, para a produção de animais jovens e precoces, a suplementação é essencial, na seca e nas águas. “Dados que acompanhamos em diversas propriedades na região de Cerrado, em pastagens de Brachiaria brizantha, dividindo o ano em dois períodos (seca e águas), mostraram que com apenas suplementação de mineral nas águas e proteicos na seca, os ganhos médios em cada período são de até 200 gramas na seca, e 600 nas águas. Isso corresponde a um ganho médio anual de 400 gramas e em tais condições é difícil terminar um animal em 24 meses. É importante estabelecer um plano nutricional para o rebanho”, frisa Oliveira.

O emprego da suplementação na pecuária permite alavancar a produtividade zootécnica dos rebanhos, antecipando a maturidade fisiológica do animal, induzindo o acabamento desejado em idades e pesos de carcaça compatíveis com uma bovinocultura de alto desempenho. A suplementação resultará em maior investimento, porém a compensação virá com o aumento de peso (mérito individual) e da produtividade (@/hectare/ano). O período de engorda de um animal suplementado com proteinado, em comparação ao ruminante que recebe apenas mineral linha branca, é inferior. Este sistema acarreta no ganho indireto de poder retirar o animal mais cedo do pasto, disponibilizando o espaço para outro bovino, que iniciará o processo de recria ou engorda.

Com um bom planejamento é possível reduzir o tempo de abate do animal e ter um giro de capital mais rápido. Segundo o engenheiro agrônomo Adilson Malagutti, da Embrapa Pecuária Sudeste, o pecuarista deve começar o planejamento ainda durante a época seca. “É preciso ter ideia do que vai acontecer com o rebanho desde o início das chuvas até o final. É em função da lotação da fazenda que será planejada a produção de alimentos”, explica. A necessidade de alimento, em quantidade e qualidade, tem que ser proporcional ao rebanho e ao ganho de peso desejado.

O planejamento em longo prazo (de 3 a 5 anos) é mais estratégico. Ali devem estar presentes as grandes metas da fazenda, aonde ela quer chegar. Já o de curto prazo é um planejamento mais detalhado, mais operacional, dentro do ano. A estratégia técnica de uma fazenda será determinada em função das metas produtivas e financeiras. “Dependendo de quando o pecuarista pretenda abater o animal, deverá planejar o quanto de ganho de peso terá de obter a cada dia, semana ou mês, se vai ou não usar suplementação, se vai ou não confinar etc., com um olho na técnica e outro no fluxo de caixa”, diz Malagutti.

Apesar dos avanços no número de animais suplementados no país, há uma parcela considerável com suplementação inadequada ou até mesmo sem complemento. Para os pesquisadores, não suplementar resulta em prejuízos e aumento do custo final do boi.

 

FONTE: ABCB Senepol

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